FORMAÇÃO CONTINUADA SEEDUC
APERFEIÇOAMENTO EM LÍNGUA PORTUGUESA - 9° ANO
ROTEIRO DE ATIVIDADES ORIGINAL -
Texto Gerador 2º Ciclo
Em Dom Casmurro, Machado de Assis cria o personagem Bentinho cuja memória servirá de vínculo entre a narrativa presente e a suposta verdade dos fatos. Vamos ler os dois primeiros capítulos da obra para buscar compreender melhor esse universo criado por Bentinho, tendo claro que esse resgate pela memória (flash-back) é falho porque distante do momento da escrita.
Estamos diante, de nada menos, que o ápice da maturidade de Machado de Assis como escritor. Aproveitemos a leitura da obra e tentemos desfazer, se formos capazes, a teia de desconfiança que pôs fim à relação entre Bentinho e Capitu. Por ora, ficaremos nos capítulos iniciais.
DOM CASMURRO
Machado de Assis
CAPÍTULO I - Do Título
Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.
– Continue, disse eu acordando.
– Já acabei, murmurou ele.
– São muito bonitos.
Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso, mas não passou do gesto; estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal pegou. Nem por isso me zanguei. Contei a anedota aos amigos da cidade, e eles, por graça, chamam-me assim, alguns em bilhetes: “Dom Casmurro, domingo vou jantar com você.” – “Vou para Petrópolis, Dom Casmurro; a casa é a mesma da Renânia; vê se deixas essa caverna do Engenho Novo, e vai lá passar uns quinze dias comigo.” – “Meu caro Dom Casmurro, não cuide que o dispenso do teatro amanhã; venha e dormirá aqui na cidade; dou-lhe camarote, dou-lhe chá, dou-lhe cama; só não lhe dou moça.”
Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título para a minha narração; se não tiver outro daqui até o fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto.
CAPÍTULO II - Do Livro
Agora que expliquei o título, passo a escrever o livro.
Antes disso, porém, digamos os motivos que me põem a pena na mão.
Vivo só, com um criado. A casa em que moro é própria; fi-la construir de
propósito, levado de um desejo tão particular que me vexa imprimi-lo, mas vá lá. Um
dia, há bastantes anos, lembrou-me reproduzir no Engenho Novo a casa em que me criei
na antiga Rua de Matacavalos, dando-lhe o mesmo aspecto e economia daquela outra,
que desapareceu. Construtor e pintor entenderam bem as indicações que lhes fiz: é o
mesmo prédio assobradado, três janelas de frente, varanda ao fundo, as mesmas alcovas
e salas. Na principal destas, a pintura do teto e das paredes é mais ou menos igual, umas
grinaldas de flores miúdas e grandes pássaros que as tomam nos bicos, de espaço a
espaço. Nos quatro cantos do teto as figuras das estações, e ao centro das paredes os
medalhões de César, Augusto, Nero e Massinissa, com os nomes por baixo... Não
alcanço a razão de tais personagens. Quando fomos para a casa de Matacavalos, já ela
estava assim decorada; vinha do decênio anterior. Naturalmente era gosto do tempo
meter sabor clássico e figuras antigas em pinturas americanas. O mais é também
análogo e parecido. Tenho chacarinha, flores, legume, uma casuarina, um poço e
lavadouro. Uso louça velha e mobília velha. Enfim, agora, como outrora, há aqui o
mesmo contraste da vida interior, que é pacata, com a exterior, que é ruidosa.
O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a
adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se
o rosto é igual, a fisionomia é diferente. Se só me faltassem os outros, vá; um homem
consola-se mais ou menos das pessoas que perde; mas falto eu mesmo, e esta lacuna é
tudo. O que aqui está é, mal comparando, semelhante à pintura que se põe na barba e
nos cabelos, e que apenas conserva o hábito externo, como se diz nas autópsias; o
interno não agüenta tinta. Uma certidão que me desse vinte anos de idade poderia
enganar os estranhos, como todos os documentos falsos, mas não a mim. Os amigos que
me restam são de data recente; todos os antigos foram estudar a geologia dos campos
santos. Quanto às amigas, algumas datam de quinze anos, outras de menos, e quase
todas crêem na mocidade. Duas ou três fariam crer nela aos outros, mas a língua que
falam obriga muita vez a consultar os dicionários, e tal freqüência é cansativa.
Entretanto, vida diferente não quer dizer vida pior; é outra coisa. A certos
respeitos, aquela vida antiga aparece-me despida de muitos encantos que lhe achei; mas
é também exato que perdeu muito espinho que a fez molesta, e, de memória, conservo
alguma recordação doce e feiticeira. Em verdade, pouco apareço e menos falo.
Distrações raras. O mais do tempo é gasto em hortar, jardinar e ler; como bem e não
durmo mal.
Ora, como tudo cansa, esta monotonia acabou por exaurir-me também. Quis
variar, e lembrou-me escrever um livro. Jurisprudência, filosofia e política acudiramme, mas não me acudiram as forças necessárias. Depois, pensei em fazer uma História
dos Subúrbios, menos seca que as memórias do Padre Luís Gonçalves dos Santos,
relativas à cidade; era obra modesta, mas exigia documentos e datas, como preliminares,
tudo árido e longo. Foi então que os bustos pintados nas paredes entraram a falar-me e a
dizer-me que, uma vez que eles não alcançavam reconstituir-me os tempos idos, pegasse
da pena e contasse alguns. Talvez a narração me desse a ilusão, e as sombras viessem
perpassar ligeiras, como ao poeta, não o do trem, mas o do Fausto: Aí vindes outra vez,
inquietas sombras...?
Fiquei tão alegre com esta idéia, que ainda agora me treme a pena na mão. Sim,
Nero, Augusto, Massinissa, e tu, grande César, que me incitas a fazer os meus
comentários, agradeço-vos o conselho, e vou deitar ao papel as reminiscências que me
vierem vindo. Deste modo, viverei o que vivi, e assentarei a mão para alguma obra de
maior tomo. Eia, comecemos a evocação por uma célebre tarde de novembro, que nunca
me esqueceu. Tive outras muitas, melhores, e piores, mas aquela nunca se me apagou do
espírito. É o que vais entender, lendo.
ATIVIDADES DE LEITURA
1. Nesse romance, o autor veicula, a seu modo, por meio de seus personagens um dos mais explorados motivos da prosa literária – o triângulo amoroso. É, entretanto, pela fala do personagem-narrador que conhecemos os fatos, e é pelo filtro de sua visão que formamos o perfil psicológico de cada uma das personagens. (William Roberto Cereja; Thereza Cochar Magalhães)
Observe que Bentinho é já um cinquentão e lança mão de suas memórias para narrar ao leitor o que ele diz ser o seu fim: “... atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência.” Levando em conta o comentário de Cereja e Thereza Cochar e os dois primeiros capítulos da obra, identifique o foco narrativo e sua importância no contexto dos fatos narrados, ilustrando com passagens do texto.
Habilidade trabalhada: identificar o foco narrativo.
Resposta comentada:
O narrador-personagem conta na 1ª pessoa a história da qual participa também como personagem.
Ele tem uma relação íntima com os outros elementos da narrativa. Sua maneira de contar é fortemente marcada por características subjetivas, emocionais. Essa proximidade com o mundo narrado revela fatos e situações que um narrador de fora não poderia conhecer. Ao mesmo tempo, essa mesma proximidade faz com que a narrativa seja parcial, impregnada pelo ponto de vista do narrador.
Machado cria um narrador em 1ª pessoa corroído pelo tempo, pelo ciúme e pelas amarguras da vida. O próprio foco narrativo já é suficiente para que o leitor duvide da veracidade dos fatos narrados, tendo em vista a visão unilateral do narrador. No texto lido, passagens como “Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal pegou.” ou “A certos respeitos, aquela vida antiga aparece-me despida de muitos encantos que lhe achei; mas é também exato que perdeu muito espinho que a fez molesta, e, de memória, conservo alguma recordação doce e feiticeira. Em verdade, pouco apareço e menos falo.” comprovam essa visão singular de Bentinho que precisa ser levada em conta em toda a obra, principalmente no conflito que vivera com Capitu.
Há ainda, uma outra dimensão do narrador na obra Machadiana que, numa busca incessante de enredar o leitor, dialoga o tempo todo com seu interlocutor, é o fato da escolha de iniciar o romance com dois capítulos que explicam a escolha do título e o porquê do livro, como também muitas outras intervenções ao longo da narrativa em que busca envolvê-lo remetendo a trechos já cidados, às vezes até com perguntas e insinuações.
O fato é que Bentinho apresenta uma narração viciada por sua perspectiva parcial, unilateral e esse dado é importantíssimo para a compreensão de todos os fatos.
2. Com relação ao título dado à obra: Dom Casmurro, o narrador diz: Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão...” Justifique a escolha do título a partir do que é possível inferir do conteúdo narrado nos capítulos iniciais.
Habilidade trabalhada: Utilizar pistas do texto para fazer inferências do conteúdo.
Resposta comentada: Segundo o dicionário, casmurro é adj. e s.m. Que, ou aquele que é teimoso, obstinado; no entanto, Bentinho diz “não consultes dicionários”. O título se deve ao temperamento calado, sisudo, solitário do protagonista masculino no crepúsculo da existência; a visão amarga, doída e ressentida de quem foi machucado pela vida e por isso, vai se isolando em sua casa, pondo-se a escrever sobre sua vida.
Seria interessante preparar com os alunos um mural com as palavras cujos significados são desconhecidos ou empregados fora do usual. Os adolescentes gostam de atividades deste tipo: a cada palavra em que o significado é pesquisado, inferido e, por consequência pode vir a incorporar-se ao vocabulário, os alunos são chamados a escrever no painel: palavra e sentido no contexto, expondo o painel na classe durante o tempo de duração do trabalho com o livro.
3. No segundo capítulo, Dom Casmurro declara os motivos que o levaram a escrever o livro: “O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui.”
O que podemos concluir a partir do trecho em destaque?
a) Bentinho não conseguiu lembrar-se de tudo o que acontecera em sua vida.
b) Bentinho se arrependeu de ter casado com Capitu, porque ela o traíra.
c) O narrador-personagem já estava velho e não teria forças para retomar sua vida e reviver as aventuras da adolescência.
d) Não seria possível recuperar os sentimentos e a alegria da adolescência porque o tempo havia passado e Bentinho já não era mais a mesma pessoa.
e) Os amigos de Bentinho impediam-no retomar a vida de outrora.
Habilidade trabalhada: Utilizar pistas do texto para fazer inferências do conteúdo.
Resposta comentada: O narrador-personagem dialogando com o leitor, a quem respeitosamente chama de senhor, conta as mudanças exteriores que fizera na esperança de reencontrar-se; numa hipérbole reconstrói a casa da Rua de Mata-cavalos, como se fosse possível com toda a reprodução recuperar o seu interior. Pelas pistas apontadas pelo próprio narrador em um trecho, pouco abaixo do destacado, podemos inferir que a resposta adequada à questão está na alternativa d. Vejamos: “(...) mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo. O que aqui está é, mal comparando, semelhante à pintura que se põe na barba e nos cabelos, e que apenas conserva o hábito externo, como se diz nas autópsias; o interno não agüenta tinta. Uma certidão que me desse vinte anos de idade poderia enganar os estranhos, como todos os documentos falsos, mas não a mim. Os amigos que me restam são de data recente; todos os antigos foram estudar a geologia dos campos santos. Quanto às amigas, algumas datam de quinze anos, outras de menos, e quase todas crêem na mocidade. Duas ou três fariam crer nela aos outros, mas a língua que falam obriga muita vez a consultar os dicionários, e tal freqüência é cansativa.”
Nos trechos em negrito observamos que seu problema não é ausência de memória, não é a velhice, não são os amigos, como também não refere-se a arrependimento por sua relação com Capitu ou mesmo vergonha ou rancor pela traição. Nota-se um homem que perdeu-se de si mesmo, as amarguras a que se submetera tornaram-no casmurro.
ATIVIDADES DE USO DA LÍNGUA
1. Há no trecho em estudo apenas um pequeno diálogo estabelecido entre Bentinho e um rapaz do bairro a quem conhece de vista e de chapéu. Retire do trecho os verbos dicendi e reescreva o diálogo apontando para novas possibilidades quer com discurso direto, quer com discurso indireto.
Habilidade trabalhada: Identificar o ponto de vista do narrador evidenciado na seleção dos verbos dicendi e distinguir variações nas formas de introduzir as falas dos personagens.
Resposta Comentada:
No pequeno diálogo presente no texto aparecem os verbos dizer e murmurar. Como homem cinquentão, Bentinho mostra-se realmente casmurro: homem fechado, de poucas palavras, muito voltado para si mesmo e suas preocupações. Outras redações possíveis para o diálogo poderiam ser:
Disse eu, acordando:
- Continue.
Murmurou ele:
- Já acabei.
- São muito bonitos.
Ou ainda:
Eu, acordando, lhe disse que continuasse, mas ele murmurou que já havia acabado. Então, completei dizendo que eram muito bonitos.
Pode-se ainda, propor aos alunos que pesquisem outros verbos que possam substituir com semelhança de sentido os verbos empregados pelo autor, reconstruindo o diálogo. No momento da correção, em duplas os alunos poderão representar as falas dos personagens caracterizando-os pela entonação.
No que se refere ao tempo da história, podem-se perceber dois planos: o plano do ato de criação (presente da narrativa) e o plano da história recordada (passado da narrativa), os quais possuem certa interdependência, cruzando-se constantemente na formação temporal do discurso.
a) Identifique no texto a passagem que torna clara a afirmação acima.
b) Observe os tempos verbais empregados na construção do texto e retire do texto os verbos que evidenciam a intenção do narrador de buscar proximidade com o leitor.
Habilidade trabalhada: Reconhecer o discurso direto como meio de presentificar as falas e observar nexos lógicos no texto, empregando adequadamente os tempos e modos verbais.
Resposta comentada:
Em primeiro plano, é visível o tempo presente do narrador-protagonista que, ao longo
de horas, recorda e põe-se a registrar fatos do passado, em um vai-e-vem temporal que tece a
“liquidação” da sua vida e, ao mesmo tempo, constrói a narrativa. O objetivo do
narrador em escrever o livro é “atar as pontas da vida” através das memórias. Narrada em um
segundo plano, a história de Bento Santiago envolve décadas, percorrendo sua vida da
adolescência à maturidade, passando, de modo menos intenso, pela infância. Da infância temos apenas flashes.
No capítulo 2 fica clara a afirmação enunciada no trecho: Ora, como tudo cansa, esta monotonia acabou por exaurir-me também. Quis variar, e lembrou-me escrever um livro. Jurisprudência, filosofia e política acudiram-me, mas não me acudiram as forças necessárias. (...) Foi então que os bustos pintados nas paredes entraram a falar-me e a dizer-me que, uma vez que eles não alcançavam reconstituir-me os tempos idos, pegasse da pena e contasse alguns. Talvez a narração me desse a ilusão, e as sombras viessem perpassar ligeiras, como ao poeta, não o do trem, mas o do Fausto: Aí vindes outra vez, inquietas sombras...? (...)
Fiquei tão alegre com esta ideia, que ainda agora me treme a pena na mão. (...)agradeço-vos o conselho, e vou deitar ao papel as reminiscências que me vierem vindo. Deste modo, viverei o que vivi, e assentarei a mão para alguma obra de maior tomo.
Com relação à alternativa b, nota-se no diálogo no trem o emprego do presente do indicativo e imperativo aproximando narrador e leitor: Continue, são, não consultes. Também no segundo capítulo outras palavras além de verbos cumprem o papel de presentificar o texto: agora, passo a escrever, antes disso, digamos , vivo, moro... São elementos que estabelecem coesão e interdependência temporal no discurso.
3. É uma das características machadianas construir um narrador que dialoga com o leitor fazendo-lhe sentir-se também um personagem, envolvendo-o na trama como alguém que o ajudará a compreender e atar suas memórias.
Essas “falas” do narrador-personagem são constantes no romance Dom Casmurro como um todo e podem ser identificadas nos dois capítulos escolhidos. Identifique-as, analisando o ponto de vista do narrador.
Habilidade trabalhada: Distinguir variações nas formas de introduzir as falas dos personagens, evidenciando o ponto de vista.
Resposta comentada:
No capítulo 1, há uma chamada do narrador avisando ao leitor que “não consulte o dicionário”, de certa forma isso informa o aspecto sisudo do narrador ao adiantar que seria perda de tempo, já que o significado de tal palavra está fora de seu emprego usual.
No capítulo 2, o narrador confessa: Pois, senhor, não consegui recompor o que foi [a casa] nem o que fui. Com essa fala percebe-se a amargura interior do narrador, o ponto de vista de quem vive de forma solitária. Por fim, a última fala, É o que vais entender, lendo. O narrador põe-se a escrever suas memórias. Partirá do tempo presente para as recordações do passado, quando adolescente na Rua de Matacavalos.
Neste romance, o ponto de vista trazido ao primeiro plano é o de Bentinho, caracterizado como o herói da narrativa e o próprio narrador dos fatos que aí acontecem. Com essa liberdade, Bentinho conduz o leitor narrando sua suspeita de infidelidade de Capitu e Escobar em relação a ele.
Essas interpelações do narrador ao leitor são feitas de forma direta interrompendo a narrativa muitas vezes com certa ironia.
ATIVIDADE DE PRODUÇÃO TEXTUAL
1. A partir do fragmento da obra lido, motivar a leitura da obra para que ao fim seja debatida a questão polêmica que Machado de Assis deixou em aberto: Afinal, Capitu traiu o marido ou tudo não passou de um trágico engano motivado pelo ciúme doentio de Bentinho?
Após leitura e debate, propor a produção de uma ficha de leitura do livro:
Tema:
Foco narrativo:
Época:
Cenário:
Personagens:
Conflito:
Desenlace:
Num segundo momento, propor a mudança do foco narrativo ou do ponto de vista: o mesmo tema na visão de Capitu, ou de Escobar, ou de Sancha, ou de Ezequiel, ou outro personagem, à escolha dos alunos. Os alunos deverão selecionar um episódio ou capítulo e reescrevê-lo organizando um planejamento-resumo da obra em nova versão.
Ao término desta atividade escrita, pode-se propor a dinâmica do Júri Simulado para que os alunos possam absolver ou condenar Capitu com base na argumentação a partir do romance.
Habilidade trabalhada: Produzir resumos de romances lidos e testar sua inteligibilidade e planejar um texto narrativo mais longo, modificando o foco narrativo.
Resposta comentada:
A atividade proposta deve ser avaliada a partir das colocações dos alunos durante o debate em classe, uma vez que todos deverão escolher argumentos lógicos para a defesa de sua posição. Também será importante que tais argumentos debatidos sirvam de base para a organização do texto-resumo sob um novo ponto de vista e para a organização do Júri Simulado, para o qual devem ser convidadas as outras turmas, pais e comunidade.
Ao final da tarefa, os textos produzidos poderão ser reunidos numa coletânea e publicados do google docs, e o Júri Simulado pode ser filmado e enviado para o you tube e blog do Colégio.
REFERÊNCIAS WEBIBLIOGRÁFICAS
http://www.unigran.br/interletras/ed_anteriores/n1/inter_estudos/manuais_didaticos.html - Acesso em 10/11/2011 - o site critica o trabalho de alguns livros didáticos que partem de fragmentos da obra Dom Casmurro com a mesma visão unilateral de Bentinho, sem levar o leitor a uma reflexão autônoma e crítica, como o quis Machado de Assis.
http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/d/dom_casmurro/
Acesso em 10/11/2011 – o site apresenta uma análise completa da obra de forma resumida.
Revista eletrônica de crítica e teoria de literaturas - Dossiê: oralidade, memória e escrita
PPG-LET-UFRGS – Porto Alegre – Vol. 04 N. 02 – jul/dez 2008 O tempo como essência de Dom Casmurro - Cimara Valim de Melo – O artigo analisa os recursos temporais utilizados em Dom Casmurro, romance memorialístico de Machado de Assis, a fim de
perceber as diversas funções da temporalidade ao longo da narrativa e o modo como ela contribui à profundidade reflexiva da obra.
JUSTIFICATIVA:
Dom Casmurro é uma obra que trabalha questões muito presentes no interior do ser humano: a relação consigo mesmo, a relação com o outro, a relação com Deus. É interessante para os alunos porque utiliza a técnica do flash-back, partindo do momento presente no qual se dá a narração a partir de memórias do passado. O grande amor de Bentinho começa a florescer quando ele está com quinze anos e Capitu com catorze (idade média dos meninos e meninas do 9º ano). Creio que discutir aspectos que fortalecem ou enfraquecem as relações humanas, sejam amorosas ou não, é muito importante na formação da personalidade dos educandos. Bentinho e Capitu serão um ponto de partida.
As questões propostas buscam, sobretudo, evidenciar que o determinante para a compreensão da obra é o foco narrativo e o ponto de vista de Bentinho: unilateral, parcial, fortalecido pelo protecionismo vivido na infância e adolescência e, de certo modo, pelo sentimento de superioridade em relação à Capitu (situação social e econômica), como também pelo sentimento de incapacidade de viver livre e independente, sentimento de inferioridade: baixa autoestima. Os capítulos iniciais, embora curtos (característica machadiana), ajudam a compreender o momento presente de Bentinho, que determinam e são determinados por sua memória fragmentada.
ROTEIRO DE ATIVIDADES DO 2º CICLO DO 4º BIMESTRE DO 9ºANO
EIXO BIMESTRAL: ROMANCE
TEXTO GERADOR: AS MENINAS (Lygia Fagundes Telles)
Uma conversa e o futuro pela frente. [1]
1§ − Desde ontem ela não aparece. Telefonou dizendo que está na chácara do noivo.
2§ − Noivo. A senhora me desculpe, Madre Alix, mas Ana é o produto desta nossa bela sociedade, tem milhares de Anas por aí, algumas aguentando a curtição. Outras se despedaçando. As intenções de socorro e etecetera são as melhores do mundo, não é o inferno que está exorbitando de boas intenções, é esta cidade. Vejo a senhora sair com outras senhoras bondosas dando sopinha aos mendigos. Bons conselhos, cobertores. Eles bebem a sopinha, ouvem os conselhos e vão correndo trocar o cobertorzinho pelo litro de cachaça porque o dia amanheceu mais quente, pra que cobertor? Tudo continua como na véspera com uma noite de demência a mais fornecida pelo donativo. Um padre nosso amigo foi ensinar catecismo à menininha de nove anos que o pai vendeu pro bordel e quase morreu de tanto apanhar do agregado da proprietária. Aprendeu a lição, ô se aprendeu. Caridade individual é romantismo, cheguei a essa conclusão não faz muito tempo. Agora ele funciona com a gente mas dentro de outra perspectiva. Nos esquecemos, nos descuidamos, diz Bela Akhmadulina.[2] E tudo caminha ao contrário.
3§ Vou até a garrafa térmica e me sirvo de mais café mas queria um sanduíche. Presunto e queijo. Uma abelha se debate contra a vidraça e de repente seu zunido fica mais importante do que nossa fala. Mas de onde veio essa abelha numa noite dessas? Gostaria de escrever como ela faz mel. E quase me dobro num riso desatinado, era bem doidona a cigarra da fábula com suas cantorias mas a formiga de vassoura na mão não ficava atrás.
4§ − Tinha tanta coisa que lhe dizer, filha. E já nem sei por onde começar. Essa sua política, por exemplo. Me pergunto se você está em segurança.
5§ − Segurança? Mas quem é que está em segurança? Aparentemente a senhora pode parecer muito segura aí na sua redoma mas é bastante inteligente pra perceber do que essa redoma está lhe protegendo. Alguns padres romperam o vidro como aquele de que lhe falei. Por acaso estão em segurança? Não. Nem estão pensando em segurança quando se deitam no colchão sem travesseiro ou quando rezam suas missas num caixote feito altar.
6§ Ela sorriu. Um sorriso triste que me arrependi de provocar.
7§ −Mas não estou na redoma, Lia. É neste ponto que você se engana como se enganou também quando disse que eu queria lhe apontar a porta. Deus sabe que meu desejo maior é protegê-las e guardá-las para sempre, como se isso fosse possível. Se não interfiro, se não me aproximo é porque não quero que pensem em vigilância, fiscalização. Vocês bateriam as asas mais depressa ainda.
8§ Pronto, magoou-se. Essa minha mania de discurso, baiano com subversão pode dar noutra coisa?
9§ −Não sei explicar, Madre Alix, mas o que queria dizer é que embora resguardada a senhora luta a seu modo, respeito sua luta. Respeito até a luta dos que querem nos destruir, respeito sim senhora, eles estão na deles. Como estamos na nossa, enfraquecidos, traídos, divididos, não calcula como estamos divididos. Mas vamos aguentando. Um que fique tem que correr como um cão danado pra passar o facho ao seguinte que recebe e sai correndo até o próximo que nem estava na corrida, entende? De mão em mão. É demorado mas não estamos mais com tanta pressa.
10§ −Facho, Lia? Você fala em facho, mas o que vejo é um levar ao outro violência, morte. Um rastro de sangue é o que vocês vão deixando por onde passam. Temos um Condutor Supremo e do Seu esquema transcendente a violência foi riscada. A espiritualidade...
11§ Olha aí, vitória da espiritualidade. Arranco uma lasca da unha que vem com um fiapo de pele. O sangue brota. Chupo o dedo. Uma bala dum-dum no peito doeria menos.
12§ −O Bezerro de Ouro até está instalado na praça e a senhora me fala em espiritualidade. Os adoradores não são espirituais porque são adoradores, entende? O povo não é espiritual porque o povo quer fazer parte da adoração e não pode nem chegar perto, está desesperado, aquele brilho, aquele exemplo de conforto, gozo. Esses desastres, esses crimes, tudo isso é desespero, o povo está sem esperança e nem sabe. Então fica subindo nos postes, dando tiro à toa, bebendo querosene e gasolina de aflição. Medo. Eu estava assim desorientada. Agora sei o que fazer.
13§ − Violência, também?
14§ Não consigo mais ficar sentada, me levanto . Assumo o risco. −Não, Madre Alix. Confesso que estou mudando, a violência não funciona, o que funciona é a união de todos nós para criar um diálogo. Mas já que a senhora falou em violência vou lhe mostrar uma −digo e procuro o depoimento que levei pra mostrar ao Pedro e esqueci. − Quero que ouça o trecho do depoimento de um botânico perante a Justiça, ele ousou distribuir panfletos numa fábrica. Foi preso e levado à caserna policial, ouça aqui o que ele diz, não vou ler tudo: Ali interrogaram-me durante vinte e cinco horas enquanto gritavam, Traidor da pátria, traidor! Nada me foi dado para comer ou beber durante esse tempo. Carregaram-me em seguida para a chamada capela: a câmara de torturas. Iniciou-se ali um cerimonial frequentemente repetido e que durava de três a seis horas cada sessão. Primeiro me perguntaram se eu pertencia a algum grupo político. Neguei. Enrolaram então alguns fios em redor dos meus dedos, iniciando-se a tortura elétrica: deram-me choques inicialmente fracos que foram se tornando cada vez mais fortes. Depois, obrigaram-me a tirar a roupa, fiquei nu e desprotegido. Primeiro me bateram com as mãos e em seguida com cassetetes, principalmente nas mãos. Molharam-me todo, para que os choques elétricos tivessem mais efeito. Pensei que fosse então morrer. Mas resisti e resisti também às surras que me abriram um talho fundo em meu cotovelo. Na ferida o sargento Simões e o cabo Passos enfiaram um fio. Obrigaram-me então a aplicar choques em mim mesmo e em meus amigos. Para que eu não gritasse enfiaram um sapato dentro da minha boca. Outras vezes, panos fétidos. Após algumas horas, a cerimônia atingiu seu ápice. Penduraram-me no pau-de-arara: amarraram minhas mãos diante dos joelhos, atrás das quais enfiaram uma vara, cujas pontas eram colocadas em mesas. Fiquei pairando no ar. Enfiaram-me então um fio no reto e fixaram outros fios na boca, nas orelhas e nas mãos. Nos dias seguintes o processo se repetiu com maior duração e violência. Os tapas que me davam eram tão fortes que julguei que tivessem me rompido os tímpanos, mal ouvia. Meus punhos estavam ralados devido as algemas, minhas mãos e partes genitais completamente enegrecidas devido às queimaduras elétricas. E etecetera, etecetera.
15§ Dobro a folha. Madre Alix me encara. Os olhos cinzentos têm uma expressão afável.
16§ − Conheço isso, filha. Esse moço chama-se Bernardo. Tenho estado muito com a mãe dele, fomos juntas falar com o Cardeal.
17§ Agora é que eu não sei mesmo o que pensar. Muito especial, diria a Lorena. Nunca ninguém me deu tanto essa ideia de união de gelo e fogo como ela me dá. Tinha empalidecido mas está de novo corada, as veiazinhas se cruzando na superfície da face numa rede fina como se fosse feita de cabelos rompidos aqui e ali, as pontas meio perdidas se buscando adiante e se dando as mãos até formar um só todo transcendente e indefinível como o ser único desse seu universo. Um universo que é o da sua infância. A própria infância da humanidade.
18§ −Boa noite, Madre Alix. Gostei muito de conversar com a senhora.
19§ − Toma cuidado, Lia. Não quero que você sofra, toma cuidado, eu peço.
20§ − Sou forte à beça.
21§ − Não, Lia. Vocês são frágeis, filha. Você, Lorena. Quase tão frágeis quanto Ana Clara . Haja o que houver, não deixe de me dar notícias. Conte comigo.
22§ −Vou lhe mandar meu diário, Madre Alix. Ao invés de cartas, um diário de viagem!
23§ Ela me acompanha até a porta.
24§ − Posso lhe dar uma epígrafe? É do Gênesis, aceita? −pergunta e sorri. Sai da tua terra e da tua parentela e da casa de teu pai e vem para a terra que eu te mostrarei. É o que você está fazendo−acrescentou. Hesitou um pouco: −É o que eu fiz.
TELLES, Lygia Fagundes. As Meninas. 1ª ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. (P.146-151).[3]
ATIVIDADES DE LEITURA
QUESTÃO 1
Habilidade trabalhada
· Identificar foco narrativo, espaço, tempo, personagem, conflito e desfecho.
Observe o trecho que segue e faça o que se pede:
“Ali interrogaram-me durante vinte e cinco horas enquanto gritavam, Traidor da pátria, traidor! Nada me foi dado para comer ou beber durante esse tempo. Carregaram-me em seguida para a chamada capela: a câmara de torturas. Iniciou-se ali um cerimonial frequentemente repetido e que durava de três a seis horas cada sessão. Primeiro me perguntaram se eu pertencia a algum grupo político”.
O foco narrativo é dado pelas pessoas do discurso que, no texto, podem ser evidenciadas tanto pelo uso de pronomes como das flexões verbais. Assim, se o foco narrativo está na primeira pessoa, teremos os pronomes eu (1ª pessoa do singular) ou nós (1ª pessoa do plural). Se o foco narrativo for de terceira pessoa, teremos os pronomes ele/ela (3ª pessoa do singular) ou eles/elas (3ª pessoa do plural). Assinale a alternativa, a seguir, que NÃO explicita o mesmo foco narrativo do que se encontra no trecho destacado:
A) “ Pronto, magoou-se. Essa minha mania de discurso” (parágrafo 8)
B) “Vou até a garrafa térmica....” (parágrafo 3)
C) “ Ela sorriu. Um sorriso triste...” (parágrafo 6)
D) “Gostei muito de conversar com a senhora.” (parágrafo 18)
QUESTÃO 2
Habilidade trabalhada
· Utilizar pistas do texto para fazer antecipações e inferências de conteúdo.
Uma narrativa é o relato de acontecimentos, reais ou fictícios. Os fatos são relatados depois que aconteceram, na realidade ou na ficção. A forma verbal empregada para relatar acontecimentos é o pretérito, como a passagem: Pronto, magoou-se.
Podemos observar, no fragmento do romance As meninas, também o emprego do presente do indicativo pelo narrador, como mostra este trecho: Olha aí, vitória da espiritualidade. Arranco uma lasca da unha que vem com um fiapo de pele. O sangue brota. Chupo o dedo. Uma bala dum-dum no peito doeria menos. Marque a hipótese mais adequada para justificar a presença do presente do indicativo pelo narrador, no fragmento que lemos do romance As meninas.
A) Indicar que o narrador conta algo que acontece habitualmente.
B) Tornar o texto mais vivo como se o diálogo estivesse acontecendo diante dos olhos do ouvinte ou leitor.
C) Marcar fatos que tiveram forte impacto emocional no narrador.
D) Marcar ,acontecimento provável, de realização futura.
QUESTÃO 3
Habilidade trabalhada
· Identificar foco narrativo, espaço, tempo, personagem, conflito e desfecho.
No romance, a indicação do lugar onde acontece a história pode se dar pelas pistas que o cenário (lugar onde acontece a ação) e seus objetos presentes mostram. Algo parecido ocorre com o tempo em que se passa a história: podemos ter uma pista do momento, hora, data ou outra indicação de quando acontece o que é contado. No terceiro parágrafo, temos a indicação do lugar e do tempo em acontece a conversa entre Madre Alix e Lia. Identifique em que local e quando se passa a conversa entre elas:
A) Dentro de casa pela manhã.
B) Dentro de casa à noite.
C) No quintal pela manhã.
D) No quintal à noite.
QUESTÃO 4
Habilidade trabalhada
· Identificar foco narrativo, espaço, tempo, personagens, conflito e desfecho.
Podemos caracterizar os personagens de variadas formas. Aqueles mais complexos, que apresentam muitas particularidades, podem ser analisados por suas características físicas, pelo seu modo de pensar, pelo seu comportamento, pela sua classe social e também pela sua personalidade ou estados de espírito. No trecho do capítulo 6, do livro As Meninas, vemos a conversa entre dois personagens: Lia e Madre Alix. De acordo com as falas de Lia, podemos identificá-la psicologicamente, isto é, de acordo com sua personalidade como:
A) Uma personagem de características românticas, crente na bondade e nas boas intenções das pessoas.
B) Uma personagem que representa os moços típicos da sociedade dos anos 70, do século passado, influenciados pelos hábitos consumistas da juventude dos Estados Unidos.
C) Uma personagem cética, com grande poder de persuasão, que procura convencer Madre Alix a aderir a seus hábitos consumistas.
D) Uma personagem com espírito revolucionário, bastante engajada politicamente, que acredita ser capaz de mudar o mundo com sua ideologia.
QUESTÃO 5
Habilidade trabalhada
· Utilizar pistas do texto para fazer antecipações e inferências do conteúdo.
No trecho:
“- Não sei explicar, Madre Alix, mas o que queria dizer é que embora resguardada a senhora luta a seu modo, respeito sua luta. Respeito até a luta dos que querem nos destruir, respeito sim senhora, eles estão na deles. Como estamos na nossa, enfraquecidos, traídos, divididos, não calcula como estamos divididos. Mas vamos aguentando. Um que fique tem que correr como um cão danado pra passar o facho ao seguinte que recebe e sai correndo até o próximo que nem estava na corrida, entende. De mão em mão. É demorado mas não estamos mais com tanta pressa”
A personagem Lia parece tentar consertar algo de errado feito anteriormente.
a) Por que Lia teria de se retratar?
b) Justifique com elementos do texto.
ATIVIDADES DE USO DA LÍNGUA
QUESTÃO 6
Habilidades trabalhadas
· Distinguir variações nas formas de introduzir as falas dos personagens.
· Reconhecer o discurso direto como meio de presentificar as falas.
Em textos narrativos, a reprodução fiel das palavras de personagens é feita pelo discurso direto. Em geral, o narrador indica ou introduz a fala do personagem com o emprego dos chamados verbos de dizer, como falar, dizer, perguntar, responder, indagar. As falas de personagens se seguem, marcadas, em geral, pelo travessão. No fragmento que lemos da obra As meninas, observamos muitos diálogos marcados somente pelo travessão, sem que o narrador faça a indicação ou a introdução dessa fala, utilizando um verbo de dizer.
Transcreva, do texto, o trecho em que a autora utiliza um verbo dicendi .
QUESTÃO 7
Habilidade trabalhada
· Observar os nexos lógicos do texto, empregando adequadamente os tempos e modos verbais
Como observamos, no fragmento do romance As Meninas lido, há o predomínio de discurso citado ou discurso direto, ou seja, falas de personagens. Nota-se, nessas falas, o predomínio do verbo no presente do indicativo, que causam certo efeito no texto. Marque a alternativa referente ao efeito de sentido causado pelo verbo no presente do indicativo às falas dos personagens.
A) Torna o texto com um ritmo lento ao expressar fatos que acontecem habitualmente.
B) Torna a narrativa mais tensa, passando para o leitor a ilusão de presenciar a cena no momento em que acontece.
C) Torna o acontecimento mais presente, mais objetivo, pois o fato ocorre para depois ser relatado.
D) Torna as cenas mais presentes para o leitor pois as palavras dos personagens são incorporadas ao discurso do narrador.
QUESTÃO 8
Habilidades trabalhadas
· distinguir variações nas formas de introduzir as falas dos personagens;
· identificar o ponto de vista do narrador evidenciado na seleção dos verbos dicendi.
Existem estratégias que são utilizadas na introdução da fala de personagens do texto, que podem variar conforme estilo do autor. Como visto anteriormente, uma dessas estratégias é o uso dos chamados verbos dicendi (tais como dizer, falar, perguntar etc.) . Entretanto, a utilização desses verbos não é obrigatória – e isso pode ser visto no trecho de As Meninas, uma vez que a autora pouco os usa. Observe, então, no trecho que segue o verbo que estaria sendo utilizado com papel similar ao de um verbo dicendi e explique a) que ponto de vista se evidencia no trecho; e b) de que outra forma poderia ser introduzida a fala de Lia no trecho em que se dirige à madre.
“Não consigo mais ficar sentada, me levanto . Assumo o risco. −Não, Madre Alix. Confesso que estou mudando, a violência não funciona, o que funciona é a união de todos nós para criar um diálogo. Mas já que a senhora falou em violência vou lhe mostrar uma [...]”
Questão 9
Habilidade trabalhada
· Reconhecer o discurso direto como meio de presentificar as falas das personagens
Externar a voz de um personagem em uma narrativa, presentificando sua fala, é recurso denominado discurso direto ou reportado. O trecho destacado da obra As Meninas é rico em tal recurso, já que apresenta diálogo entre duas personagens: Lia e Madre Álix. Considerando-se essas observações, além do que você já conhece sobre o assunto, pode-se dizer que esse tipo de discurso não se caracteriza pelo uso de:
a) Aspas para a marcação das falas.
b) Um verbo do tipo dicendi na a introdução das falas.
c) Um verbo dicendi ao fim das falas.
d) Travessões no início de cada fala, exclusivamente.
Questão 10
Habilidade trabalhada
· Identificar o ponto de vista do narrador evidenciado na seleção dos verbos dicendi..
Observe o trecho:
“− Posso lhe dar uma epígrafe? É do Gênesis, aceita? −pergunta e sorri. Sai da tua terra e da tua parentela e da casa de teu pai e vem para a terra que eu te mostrarei. É o que você está fazendo−acrescentou. Hesitou um pouco: −É o que eu fiz.”
No trecho lido encontra-se o verbo dicendi “perguntar”, que, entretanto, não se mostra suficiente para o que o narrador tenta traduzir do que pensa a personagem. Para que o trecho expressasse com maior exatidão como agiam e pensavam as personagens, ainda há os verbos “sorrir” e “acrescentar” que ajudam a demonstrar que
a) Madre Alix expressava preocupação e uma docilidade com a jovem ao aconselhá-la.
b) Madre Alix era irônica, pois sabia que a jovem não conhecia o significado da palavra epígrafe.
c) Madre Alix estaria apenas exercendo o seu papel de freira ao indicar um versículo bíblico, desejando que a jovem também se torne uma freira.
d) Madre Alix age de maneira indiferente com relação ao que sente a personagem Lia.
ATIVIDADES DE PRODUÇÃO TEXTUAL
QUESTÃO 11
HABILIDADE A SER TRABALHADA
· Produzir resumos e romances lidos e testar sua inteligibilidade.
A seguir propomos duas atividades de produção textual. Se a sua escola for equipada com equipamentos de informática você poderá desenvolver a produção textual utilizando as tecnologias da comunicação e informação pra auxiliá-lo. Caso sua escola não conte com tais equipamentos, a produção textual pode ser desenvolvida ainda assim. A partir do acervo da sua Biblioteca ou Sala de Leitura escolha um romance para você ler e resumir. Ao resumir procure seguir o seguinte roteiro:
• Indique o nome da obra.
• Indique o nome do autor.
• Diga sobre o que a obra fala ou qual é o seu assunto principal.
• Diga quais são seus assuntos secundários.
• Relacione as personagens principais da trama.
• Responda: a trama tem um antagonista (uma espécie de vilão)? Quem é ele?
• Qual é o principal conflito que a obra apresenta?
• Qual é o clímax (momento principal ou de maior tensão na trama)?
• Como é o desfecho ou final da história?
Junte-se aos seus colegas e passe os resumos para um blog que deve ser criado para a socialização dos resumos feitos.
QUESTÃO 12
HABILIDADE A SER TRABALHADA
· planejar um texto narrativo mais longo, estabelecendo qual será o tema, o foco narrativo, a época, o cenário, os personagens, o conflito que os faz agir e o desenlace, respeitando a sequência temporal e observando a relação causal entre os eventos a serem narrados.
A partir do estudo da obra As Meninas, de Lygia Fagundes Telles, utilize sua criatividade para produzir um texto mais longo como é o romance diferente do conto e da crônica que são narrativas curtas. Siga as orientações propostas, abaixo:
• Pense em um grupo de amigos (até 3 personagens, podem ser dois meninos e uma menina, por exemplo). Eles se reúnem para marcar um passeio. E o que acontece entre eles?
• Escolha a partir de que ponto de vista você pretende narrar: primeira ou terceira pessoa, ou seja, se o narrador vai contar e participar a história ou se ele apenas vai contar o que acontece com os personagens.
• Imagine um espaço, ou local, onde estão os personagens e onde a história ocorrerá (você pode pensar em uma praça ou shopping, ou mesmo, em qualquer outro local como cenário para sua narrativa).
• Não se esqueça de desenvolver, ainda, os outros elementos, como, por exemplo, tempo (quando acontece a história).
• Você pode criar uma situação ou conflito a ser resolvido, ou seja, os personagens se reúnem e pretendem fazer um passeio juntos, o que eles precisam resolver para que o passeio se realize?
• Dê um final para sua história.
[1] Este recorte, ao qual atribuímos um título para situar melhor a passagem, faz parte do capítulo seis da obra e traz a personagem Lia numa conversa com a Madre Alix, responsável pelo pensionato onde vivem as três meninas, Lorena, Ana Clara e Lia.
[2] Bela Akhmadulina foi uma poetisa contemporânea tida como uma das melhores da língua russa, nascida em 1937, faleceu em 2010.
[3] Esta edição integra o PNBE 2009 ( Programa Nacional Biblioteca Escolar) que, utilizando recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, o FNDE, disponibiliza obras para leitura juntos as escolas.
Fundação Cecierj
Tarefa 1: Roteiro de Atividades Adaptado (versão preliminar) -
ELIETE CASTRO
Noite dos Capitães de Areia
1§ A grande noite de Paz da Bahia veio do Cais, envolveu os saveiros, o forte, o quebra-mar, se estendeu sobre as ladeiras e as torres das igrejas. Os sinos já não tocam as ave-marias que asseis horas há muito que passaram. E o céu está cheio de estrelas, se bem a lua não tenha surgido nesta noite clara. O trapiche se destaca na brancura do areal, que conserva as marcas dos passos dos Capitães da Areia, dos que já se recolheram. Ao longe, a fraca luz da lanterna da Porta do Mar, botequim de marítimos, parece agonizar. Passa um vento frio que levanta a areia e torna difíceis os passos do negro João Grande, que se recolhe. Vai curvado pelo vento como a vela de um barco. É alto, o mais alto do bando, e o mais forte também, negro de carapinha baixa e músculos retesados, embora tenha apenas treze anos, dos quais quatro passados na mais absoluta liberdade, correndo as ruas da Bahia com os Capitães da Areia. Desde aquela tarde em que seu pai, um carroceiro gigantesco, foi pegado por um caminhão quando tentava desviar o cavalo para um lado da rua, João Grande não voltou à pequena casa do morro. Na sua frente estava a cidade misteriosa, e ele partiu para conquistá-la. A cidade da Bahia, negra e religiosa, é quase tão misteriosa como o verde mar. Por isso João Grande não voltou mais. Engajou com nove anos nos Capitães da Areia, quando o Caboclo ainda era o chefe e o grupo pouco conhecido, pois o Caboclo não gostava de se arriscar. Cedo João Grande se fez um dos chefes e nunca deixou de ser convidado para as reuniões que os maiorais faziam para planejar os furtos. Não que fosse um bom organizador de assaltos, uma inteligência viva. Ao contrário, doía-lhe a cabeça se tinha que pensar. Ficava com os olhos ardendo, como ficava também quando via alguém fazendo maldade com os menores. Então seus músculos se retesavam e estava disposto a qualquer briga. Mas a sua enorme força muscular o fizera temido. O Sem-Pernas dizia dele:
2§ – Este negro é burro mas é uma prensa...
3§ E os menores, aqueles pequeninos que chegavam para o grupo cheios de receio, tinham nele o mais decidido protetor. Pedro, o chefe, também gostava de ouvi-lo. E João Grande bem sabia que não era por causa da sua força que tinha a amizade do Bala. Pedro achava que o negro era bom e não se cansava de dizer:
4§ – Tu é bom, Grande. Tu é melhor que a gente. Gosto de você – e batia pancadinhas na perna do negro, que ficava encabulado.
5§ João Grande vem vindo para o trapiche. O vento quer impedir seus passos e ele se curva todo, resistindo contra o vento que levanta a areia. (...)
(...)
6§ João Grande passa por debaixo da ponte – os pés afundam na areia – evitando tocar no corpo dos companheiros que já dormem. Penetra no trapiche. Espia um momento indeciso até que nota a luz da vela do Professor. Lá está ele, no mais longínquo canto do casarão, lendo à luz de uma vela. João Grande pensa que aquela luz ainda é menor e mais vacilante que a da lanterna do Porta do Mar e que o Professor está comendo os olhos de tanto ler aqueles livros de letra miúda. João Grande anda para onde está o Professor, se bem durma sempre na porta do trapiche, como um cão de fila, o punhal próximo da mão, para evitar alguma surpresa.
7§ Anda entre os grupos que conversam, entre as crianças que dormem, e chega para perto do Professor. Acocora-se junto a ele e fica espiando a leitura atenta do outro.
8§ João José, o Professor, desde o dia em que furtara um livro de histórias numa estante de uma casa da Barra, se tomara perito nestes furtos. Nunca, porém, vendia os livros, que ia empilhando num canto do trapiche, sob tijolos, para que os ratos não os roessem. Lia-os todos numa ânsia que era quase febre. Gostava de saber coisas e era ele quem, muitas noites, contava aos outras histórias de aventureiros, de homens do mar, de personagens heróicos e lendários, histórias que faziam aqueles olhos vivos se espicharem para o mar ou para as misteriosas ladeiras da cidade, numa ânsia de aventuras e de heroismo. João José era o único que lia correntemente entre eles e, no entanto, só estivera na escola ano e meio. Mas o treino diário da leitura despertara completamente sua imaginação e talvez fosse ele o único que tivesse uma certa consciência do heroico das suas vidas. Aquele saber, aquela vocação para contar histórias, fizera-o respeitado entre os Capitães da Areia, se bem fosse franzino, magro e triste, o cabelo moreno caindo sobre os olhos apertados de míope. Apelidaram-no de Professor porque num livro furtado ele aprendera a fazer mágicas com lenços e níqueis e também porque, contando aquelas histórias que lia e muitas que inventava, fazia a grande e misteriosa mágica de os transportar para mundos diversos, fazia com que os olhos vivos dos Capitães da Areia brilhassem como só brilham as estrelas da noite da Bahia. Pedro Bala nada resolvia sem o consultar e várias vezes foi a imaginação do Professor que criou os melhores planos de roubo. (...)
9§ João Grande ficou muito tempo atento à leitura. Para o negro aquelas letras nada diziam. O seu olhar ia do livro para a luz oscilante da vela, e desta para o cabelo despenteado do Professor. Terminou por se cansar e perguntou com sua voz cheia e quente:
10§ – Bonita, Professor?
11§ Professor desviou os olhos do livro, bateu a mão descarnada no ombro do negro, seu mais ardente admirador:
12§ – Uma história porreta, seu Grande – seus olhos brilhavam.
13§ – De marinheiro?
14§ – É de um negro assim como tu. Um negro macho de verdade.
15§ – Tu conta?
16§ – Quando findar de ler eu conto. Tu vai ver só que negro...
17§ E volveu os olhos para as páginas do livro. João Grande acendeu um cigarro barato, ofereceu outro em silêncio ao Professor e ficou fumando de cócoras, como que guardando a leitura do outro. Pelo trapiche ia um rumor de risadas, de conversas, de gritos. João Grande distinguia bem a voz do Sem-Pernas, estrídula e fanhosa. O Sem- Pernas falava alto, ria muito. Era o espião do grupo, aquele que sabia se meter na casa de uma família uma semana, passando por um bom menino perdido dos pais na imensidão agressiva da cidade. Coxo, o defeito físico valera-lhe o apelido. Mas valia-lhe também a simpatia de quanta mãe de família o via, humilde e tristonho, na sua porta, pedindo um pouco de comida e pousada por uma noite. Agora, meio do trapiche, o Sem-Pernas metia a ridículo o Gato, que perdera todo um dia para furtar um anelão cor de vinho, sem nenhum valor real, pedra falsa, de falsa beleza também.
18§ Fazia já uma semana que o Gato avisara a meio mundo:
19§ – Vi um anelão, seu mano, que nem de bispo. Um anelão bom pro meu dedo. Batuta mesmo. Tu vai ver quando eu trouxer...
20§ – Em que vitrine?
21§ – No dedo de um pato. Um gordo que todo dia toma o bonde de Brotas na Baixa dos Sapateiros.
22§ E o Gato não descansou enquanto não conseguiu, no aperto de um bonde das seis horas da tarde, tirar o anel do dedo do homem, escapulindo na confusão, porque o dono logo percebeu. Exibia o anel no dedo médio, com vaidade. O Sem-Pernas ria:
23§ – Arriscar cadeia por uma porcaria! Um troço feio...
24§ – Que tem tu com isso? Eu acho bom, tá acabado.
25§ – Tu é burro mesmo. Isso no prego não dá nada.
26§ – Mas dá simpatia no meu dedo. Tou arranjando uma comida.
Atividades de Leitura
1. Assistam aos Trailers dos filmes seguintes:
http://www.youtube.com/watch?v=2zfRRlr44Wo
Lançado em 2008, o filme “Última Parada 174”, baseando-se em fatos reais, conta a história de Sandro que, tendo escapado da chacina da Candelária, sequestra um ônibus fazendo um refém e acaba sendo morto pela polícia.
http://www.youtube.com/watch?v=VTav_7PbnpU
Lançado em 2011, o filme “Capitães da Areia”, conta a história de Pedro Bala, Professor, Gato, Sem-Pernas, Boa Vida e Dora. São personagens que Jorge Amado um dia criou para habitarem eternamente na memória de seus leitores. Abandonados por suas famílias, eles são obrigados a lutar para sobreviver pelas ruas de Salvador. Mais atual do que nunca, a história destes personagens imortais da literatura mundial nos emociona e inspira de forma profunda.
- Comente o que há em comum entre os vídeos levando em consideração o texto “Noite dos Capitães da Areia”.
Habilidade trabalhada: Identificar espaço, tempo, personagens, conflito e desfecho.
Resposta Comentada: Baseado na história real do sequestro do ônibus 174, acontecido em 2000 no Rio de Janeiro, o longa “Última Parada 174” vai às origens de Sandro, apresentando sua infância conturbada e marcada pela violência. Em paralelo outro jovem, em situação semelhante sofre as consequências do envolvimento de sua mãe com o tráfico de drogas e cresce rodeado de violência nas ruas do Rio de janeiro.
Longe de querer justificar os atos finais do sequestrador ou mesmo torná-lo herói ou motivo de pena, Última Parada 174 apresenta sua história, sem deixar de responsabilizar a sociedade, a polícia e o próprio jovem por suas escolhas. Sando é tanto vítima quanto bandido no roteiro. Não há preocupação em julgar se o seu caminho foi certo ou errado ou se ele é fruto de todo um sistema cheio de falhas. Embora elas estejam visíveis e sejam gritantes, não são - e nem deveriam ser - as únicas responsáveis por atos e consequências individuais.
Essa mesma temática está presente na obra de Jorge Amado. A partir do fragmento do texto pode-se inferir como são vistos os “Capitães da Areia”, o quanto são indesejáveis na sociedade por sua organização para pequenos furtos e assaltos, a confusão que provocam, seus personagens têm personalidade própria. O descaso social com os meninos de rua é a tônica do romance. Em todos os capítulos, esse abandono é abordado, seja por meio da reflexão dos garotos ou da dos adultos que estão a seu lado, como o padre José Pedro e o capoeirista Querido-de-Deus, seja pelos sutis, mas mordazes, comentários do narrador (nunca imparciais, sempre a favor dos Capitães da Areia.
Os dois trailers mostram a adolescência em grupos, nas ruas, a formação das lideranças, o confronto com a polícia, a violência física. Chamar a atenção para o fato de que o livro de Jorge Amado retrata uma situação nos anos 1930 enquanto o filme de Bruno Barreto, um episódio atual 1993-2000 (Chacina da Candelária e assalto ao ônibus 174). Trazer para debate a in-competência dos Reformatórios, a deformação que tais estruturas geralmente provocam na personalidade de menores infratores e a necessidade de políticas públicas de amparo à criança e ao adolescente, que lhes garantam o direito de sonhar, de ter educação de qualidade, moradia, vida digna - mais do que nunca demandas atuais.
Atividades de Uso da Língua
Releia o trecho que compreende o 6º, o 7º e o 8º parágrafos do texto:
No 6º e 7º parágrafos, o narrador emprega o presente do indicativo. Enquanto no 8º parágrafo, há a predominância do pretérito, ora o mais-que-perfeito, ora o imperfeito do indicativo. Com que intenção?
Habilidade trabalhada: Observar nexos lógicos no texto, empregando adequadamente os tempos e modos verbais.
Resposta Comentada: As ações de João Grande narradas no 6º e 7º parágrafos são apresentadas pelo narrador de forma dinâmica, cronologicamente, para provocar no leitor a sensação de proximidade; o leitor acompanha cada ação como se estivesse presente neste momento em que tudo acontece.
No 8º parágrafo, magistralmente, Jorge Amado interrompe essa sequência apresentando o Professor, busca sua história no passado mais longínquo (pretérito mais-que-perfeito) e suas ações habituais, para as quais utiliza o pretérito imperfeito a fim de obter um efeito de continuidade.
Atividades de Produção Textual
1. Produção de sinopse de um romance e um capítulo.
A escrita da sinopse de uma narrativa de longa duração – romance – deve assegurar que estes elementos estejam presentes: personagens, tempo, espaço, enredo. (Garantir aos alunos acesso à biblioteca escolar para pesquisar sinopses de alguns romances, assim como acesso à web)
Passos:
I - Em duplas:
Pensar numa história e nos elementos que vão estruturá-la: tempo, lugar, personagens, ações/enredo.
Elaborar uma sinopse que contenha esses elementos.
Ler a sinopse para a classe.
Eleição da sinopse mais interessante (que mais agradou à classe).
II – Em grupos de quatro ou cinco alunos:
Com a sinopse escolhida pela turma, planejar um capítulo do romance.
Antes de escrever, planejar características das personagens, sua vida...
Escolher o foco narrativo.
Compartilhar a leitura dos capítulos produzidos.
Eleger o capítulo melhor relacionado com o enredo e os elementos da sinopse escolhida.
Produzir um pequeno vídeo com a dramatização do texto criado, postar numa rede social.
Habilidade trabalhada: Planejar um texto narrativo mais longo, estabelecendo qual será o tema, o foco narrativo, a época, o cenário, os personagens, o conflito que os faz agir.
Resposta Comentada: Deverá ser levada em conta a competência de pesquisar, planejar, criar, submeter-se a autoavaliação e avaliação por parte da classe. Há que se observar a sequência lógica de ações obedecendo à temporalidade, às características de cada personagem, a coerência entre a sinopse e o capítulo produzidos, bem como a transformação para a linguagem dramática na produção do vídeo, o que certamente dará muito prazer organizar por integrar as novas TICs.
JUSTIFICATIVA
As três questões propostas deverão ser incluídas no RA para ampliar as discussões acerca do gênero Romance. Na primeira questão proposta, além da identificação dos elementos que compõem esse tipo de narrativa, a intenção é abrir a discussão para as experiências e pontos de vista dos alunos a partir da comparação entre os textos veiculados em diversas linguagens: literária e cinematográfica, principalmente, mas pode ser que os próprios alunos se recordem de outras manifestações da mesma temática em outros textos ou mesmo situações do dia-a-dia. É muito importante, também que a discussão venha para o hoje e provoque os sentimentos e que estes possam ser manifestados, para que, como educadores que somos possamos orientar para a formação de cidadãos ativos, criativos e conscientes. No uso da língua, a questão aborda o emprego dos tempos verbais e a lógica estabelecida na narrativa, muito providencial para que os alunos percebam que a mudança não provoca quebra de coesão ou coerência, pelo contrário, situa os personagens apresentando-os no seu plano temporal. A terceira questão propõe a produção de uma sinopse de texto de longa duração e um capítulo relacionado à sinopse escolhida visando ao estímulo da criatividade, organização, análise crítica. Esta questão sendo proposta no final do RA proposto, enriquecerá a atividade uma vez que já são propostas duas questões: uma produzindo o resumo da obra em partes, a outra a partir do resumo, alterando os elementos da narrativa dará origem a um novo romance. E por fim, então, a produção de uma sinopse e de um capítulo de forma livre.
REFERÊNCIAS
http://educacao.uol.com.br/portugues/capitaes-da-areia.jhtm - acesso em 13/10/2011 - Jorge Viana de Moraes, mestre em Letras faz um resumo do enredo de Capitães da Areia, apresenta os personagens, a estrutura da narrativa, faz uma análise crítica do romance e da poesia de Castro Alves “Bandido negro” mostrando o diálogo que há entre os dois gêneros.
http://guiadoestudante.abril.com.br/estude/literatura/materia_418617.shtml - acesso em 14/10/2011 - O romance, que retrata o cotidiano de um grupo de meninos de rua, procura mostrar não apenas os assaltos e as atitudes violentas de sua vida bestializada, mas também as aspirações e os pensamentos ingênuos, comuns a qualquer criança.
http://www.youtube.com/watch?v=2zfRRlr44Wo – acesso em 14/10/2011 – Trailer do filme Última Parada 174.
http://www.youtube.com/watch?v=VTav_7PbnpU- acesso em 14/10/2011 – Trailer do filme Capitães da Areia.
BORGATTO, Ana; BERTIN, Terezinha; MARCHEZI, Vera. Tudo é Linguagem. 8ª série. Ed. Saraiva. Capítulo 3. Romance: narrativa de longa duração. Neste capítulo as autoras apresentam a análise de três capítulos do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis.
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